Farrapos de Nuvens

...um dia descobrimos que somos nós quem decide se as nuvens podem mesmo esconder o sol. ...um dia.

segunda-feira, fevereiro 25, 2008

Pairar sobre o Mundo

Há um chão que não sinto.

Um sonho que não piso.

E mesmo quando sorrio.

Minto.

Há uma mágoa escondida.

Que não tem motivo.

Que não tem sentido.

Mas que em mim permanece perdida.

Há um enorme vazio.

Que o meu coração grita.

Que as minhas mãos ocultam.

Que as pessoas não escutam.

É um desconforto.

Que não me deixa arriscar.

Que não me deixa correr.

Achar um porto.

E quando no silêncio.

Estas linhas escrevo, a medo.

Tenho um coração que palpita.

Num peito em segredo.


sexta-feira, fevereiro 22, 2008

Trágica ironia.

Quando.
Quando a tristeza é companheira.
Quando o sorriso é deserto.
Quando o abismo é horizonte.
Quando o céu é inatingivel.
Quando o tempo depressa corre.
Quando tento e não consigo.
Quando deixo de acreditar.
Quando sou e não quero.
Quando penso e não digo.
Quando choro sem motivo.
Quando falo e não sinto.
Quando não o vejo.
Quando não o oiço.
Quando as mãos já não se sabem lá.
Quando o corpo não se toca.
Quando os sentimentos estão congelados.
Quando as ideias se perderam.
Quando estou assim,sem forças.
Quando me sinto presa ao que não compreendo.
Quando a liberdade sufoca.
Quando o hoje não passa.
Quando o amanhã não chega.
Quando o ontem não volta.
Quando.
Quando tu quiseres.

terça-feira, fevereiro 19, 2008

NADA.

Há sempre em nós.
Alguém.
Que chega, vê.
E muda tudo o que tem.

Há sempre em nós.
Um sentimento.
Que dói e mói.
Em certo momento.

Há sempre em nós uma pessoa.
Que não queremos ser.
Que faz de nós aquilo.
Que ninguém sabe dizer.

Há sempre em nós um tempo.
Que é o da ira.
Que acaba com o que somos.
Que não passa de mentira.

quarta-feira, fevereiro 13, 2008

Pequenas questões.

Sonhar é injusto.Exige sempre muito do sonhador e quase nada do sonhado, se não a simples omnipresença. Sonhar exige tanto que traz à tona o que racionalmente guardámos na gaveta mais escondida do sotão do nosso coração e que fizemos questão de revestir com enormes pedregulhos trazidos de experiências posteriores...
Sonhar é injusto, porque a injustiça é relativa. O que uns tentam esquecer,esconder, alguém tem prazer em recordar e fá-lo mesmo que estejamos despojados de todas as nossas capacidades de seres racionais e quando,em estado de sonolência, as nossas faculdades emocionais podem ser assaltadas sem que tenhamos oportunidade de pressionar o botão de alarme...
Sonhar é injusto, porque exige do sonhador uma enorme capacidade de amar, que num estado disponível e racional, tomaríamos por inexistente.Mas exige sempre tão pouco do sonhado que passa da condição de esquecido para a condição de lembrado. E se as lembranças matam...mesmo que num estado de dormência do corpo e da alma que o habita...
Sonhar é injusto, porque lembra cada traço do seu rosto, o cheiro da sua pele, do seu cabelo. E que mesmo que seja só um sonho, é real, porque ele está lá...
Sonhar é injusto, porque nos faz acreditar que num tempo perdido, num lugar esquecido, num corpo inerte, há uma vida escondida, que só faz sentido se for sonhada,vivida...

domingo, fevereiro 03, 2008

Recortes

Quando as palavras escasseiam.
E quando sobram os pensamentos.
Dou conta que toda a minha vida.
Se prende num só momento.

Aquele em te deixei.
Ou em que me deixaste.
Na busca de um caminho.
E foi isso que achaste.

Eu fiquei por aqui.
Agarrada a uma dor.
Que me prende agora.
Quando a vontade é ir embora.

É quando me vejo assim.
Que desisto de tentar.
Arricar em ser melhor.
Parar de lutar.

Por hoje este pedaço de nada.
Que sempre que penso em ti, existe.
E que por muito que lute.
Ainda me sinto triste.

Ausência?Falta?
Talvez um pouco de tudo.
Saudade?Tristeza?
A certeza de um coração mudo.